Antes de tudo, vamos tirar o elefante da sala: o CIB (Cadastro Imobiliário Brasileiro) — conhecido como o “CPF dos imóveis” — não é um novo imposto.
O CIB é um cadastro digital criado pela Receita Federal para reunir, em um único sistema, todas as informações sobre imóveis urbanos e rurais no Brasil. Cada imóvel passa a ter um código único, facilitando a organização, o controle e o cruzamento de dados patrimoniais.
Funciona assim:
Cada imóvel recebe um código exclusivo, vinculado ao CPF ou CNPJ do proprietário. Esse código se conecta ao Sinter (Sistema Nacional de Gestão de Informações Territoriais), permitindo que o governo cruze dados de:
Compra e venda
Aluguéis
Doações
Heranças
Declarações de Imposto de Renda
👉 Importante: o CIB não cria tributos.
Mas ele torna a fiscalização muito mais eficiente, reduzindo práticas informais como contratos de gaveta, aluguéis não declarados e transferências fora do sistema.
Porque o CIB chega junto com a Reforma Tributária — e é aí que o cenário muda.
Com mais informações centralizadas, a Receita Federal passa a aplicar as regras de tributação com muito mais precisão, especialmente relacionadas ao IR, IBS e CBS.
🔹 IBS (Imposto sobre Bens e Serviços)
Substitui o ICMS (estadual) e o ISS (municipal).
Afeta principalmente investidores profissionais e empresas que atuam com locação de imóveis.
🔹 CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços)
Substitui o PIS e a COFINS.
Incide sobre a receita das empresas, inclusive aluguéis, quando essa é a atividade principal do negócio.
👉 O CIB funciona como o “olho que tudo vê”.
A Reforma Tributária define as regras do jogo.
De forma simples:
Passa a pagar IBS + CBS + IR quem:
Possuir mais de 3 imóveis alugados; e
Receber mais de R$ 240 mil por ano em aluguéis.
Continua apenas no IR quem:
Tem até 3 imóveis alugados, ou
Recebe menos de R$ 240 mil/ano,
desde que não atue como empresa.
Exemplo 1 — Fora da nova regra
5 imóveis alugados por R$ 2.000/mês
→ R$ 10.000/mês | R$ 120.000/ano
👉 Mantém a tributação atual (somente IR).
Exemplo 2 — Dentro da nova regra
10 imóveis alugados por R$ 3.000/mês
→ R$ 30.000/mês | R$ 360.000/ano
👉 Entra no novo modelo (IBS + CBS + IR).
📌 Especialistas estimam que, nesses casos, a carga tributária total pode chegar a até 27% sobre o valor bruto dos aluguéis.
A Reforma do IR torna o sistema progressivo: quem ganha menos paga menos, quem ganha mais paga mais.
Novas faixas propostas:
Até R$ 5.000/mês → isento
De R$ 5.000 a R$ 7.300/mês → descontos progressivos
Acima de R$ 50.000/mês → 10% sobre dividendos
👉 Impacta diretamente quem vive de:
Aluguéis
Dividendos
Fundos imobiliários
As mudanças se concentram exatamente onde renda e patrimônio se encontram.
Para investidores e proprietários de alta renda:
Mais imóveis ou alta receita de aluguel → possível incidência de IBS e CBS
O CIB permite cruzamento automático das informações
Dividendos acima de R$ 50 mil/mês passam a ter tributação de 10%, reduzindo o retorno líquido
Alguns pontos têm gerado apreensão:
Redução da rentabilidade líquida
Fuga de capital para mercados internacionais
Perda de competitividade frente a países com menor carga tributária
Insegurança jurídica, dificultando o planejamento de longo prazo
A Receita Federal estabeleceu um prazo de 12 a 24 meses para adaptação dos cartórios.
O processo começa pelas capitais e avança gradualmente para outros municípios.
👉 Durante esse período, é fundamental que proprietários acompanhem quando cada imóvel receberá o CIB.
✅ Verifique se seus imóveis estão corretamente registrados e averbados
✅ Evite contratos de gaveta
✅ Organize as declarações de IR e receitas de aluguel
✅ Se possui vários imóveis, simule o novo cenário tributário com seu contador
✅ Consulte o cartório sobre a emissão do CIB
O CIB não é o vilão.
Mas, aliado à Reforma Tributária, ele marca o início de uma nova era: mais transparência, mais integração e menos espaço para informalidade.
🔹 Para quem tem alta renda ou muitos imóveis, isso significa mais visibilidade e, possivelmente, mais tributação.
Em resumo:
O CIB é o GPS do patrimônio imobiliário brasileiro.
E o futuro da tributação será cada vez mais digital, integrado e profissional — exatamente como o mercado exige.